Sabe quando a gente define umas coisas antes que elas aconteçam? Pois é, não estou aqui querendo fazer a cabeça de ninguém, pois como se diz: “política, futebol e religião não se discute”. Mas...
Há mais ou menos três anos recebi um e-mail. Até aí tudo bem. Deixei-o algum tempo sem ler e num domingo entediante resolvi me dedicar ao danado. Como diria naquele vídeo do monstro sem pé: “eu olhei pra ele, ele olhou pra mim”.
O título era: Ministro brasileiro dá show no exterior. Tratava-se de uma palestra que o então ministro da educação tupiniquim teria dado em uma universidade dos Estados Unidos e que não teria sido publicada nos jornais brasileiros.
Segundo o e-mail, estudante havia lhe perguntado o que ele pensava sobre a internacionalização da Amazônia. Quando ele já estava disposto a dizer que era totalmente contra, o mesmo estudante lhe disse que queria sua opinião como humanista e não como brasileiro.
Então ele disse várias coisas e mostrou uma visão muito interessante e inteligente da realidade brasileira. Depois que li o texto, fiquei perplexo com a forma e com os argumentos usados pelo homem e pensei: “Pena que um homem com essa visão de mundo nunca será presidente da república”.
Bom, não publico o e-mail aqui na íntegra porque ele será publicado em outro blog, mas o link vai ao final deste texto que é para você não me abandonar no meio deste pensamento.
Vale lembrar que naquele tempo eu ainda acreditava que todos os políticos eram corruptos. Não que agora ache que são santos, mas a minha opinião é um pouco mais complexa do que nivelar tudo por baixo e colocar todos na mesma vala comum.
E essa palestra ficou na minha cabeça durante muito tempo. Há alguns meses recebi a notícia de que há um candidato a presidente da república para estas eleições que se chama Cristovam Buarque. No início titubeei, mas reli algumas vezes aquele e-mail e busquei mais informações sobre isso.
A dúvida que restava: “será que ele realmente disse aquilo?”. Hoje, após uma aula de Realidade Sócio-Econômica e Política Brasileira em que fizemos um debate sobre os candidatos a presidente da república cheguei em casa a passava uma entrevista com ele na TV Canção Nova.
Devo admitir que não costumo assistir Canção Nova. Mas, eu e meu amigo (quase irmão. Vai ver que é por isso que a gente se desentende tanto!). Bom, eu e o Joel Minusculideixamos nosso aparelho de televisão naquele canal. Logo, um dos entrevistadores perguntou sobre aquele texto, que virou e-mail, que virou carta corrente e que chegou até mim e mais milhões (acredito eu) de internautas brasileiros.
Ele admitiu que o texto é seu e que foi dito nos Estados Unidos. A diferença é que não foi em uma faculdade como foi divulgado e sim em um outro evento. E o texto foi divulgado sim aqui no Brasil em um artigo de sua autoria publicado pelo jornalO Globo.
E ele disse, exatamente, a mesma coisa que concluí enquanto raciocinava no ônibus na volta para casa após mais um dia de faculdade. Cristovam tem 1% das intenções de voto segundo o Datafolha. E na minha opinião ele não tem chance de ser eleito presidente da república em 2006. Mas, o meu voto é seu. Não importa se ele não vai entrar lá. Mas eu fiz a minha parte.
Eu vou lhe ajudar a poder dizer em 2010 (se for candidato novamente) que alguém votou nele. Que alguém acreditou nele. Que alguém acredita que só a educação pode mudar este país.
Se todos os que não sabem em quem votar e que dizem que ele não tem chance pensassem um pouco e votassem nele, segundo ele mesmo, de 1% ele poderia ir para 20% das intenções de voto e assim para o segundo turno e quem sabe ate ganhar.
Mas minha pretensões não são tão, mas o que não podemos é acreditar que as coisas são assim mesmo e que nada vai mudar nunca, porque se não, nunca vai mudar nada mesmo. Pode ser que venha a me sentir como aquele pássaroque pretendia apagar um incêndio na floresta levando água em seu pequeno bico. Mas,tenho certeza, pelo menos vou fazer a minha parte.
O sol forma sombras duras de um lado dos prédios e do outro a claridade é intensa. Esse contraste aliado à posição das sombras indica que já é perto do meio dia de mais um desses dias quentes deste verão que faz em agosto.
No prédio em frente dois homens trabalham. Ao que parece, são funcionários de uma das muitas empresas especializadas em reformas de prédios de Balneário Camboriú. Eles raspam a parede laranjada dependurados em um andaime de madeira de aproximadamente seis metros que balança com o vento e com seus passos.
É impossível ver a praia de onde eles estão. O prédio está entre eles. Lá, pelo que se pode ver na estreita faixa entre dois prédios que competem a supremacia nas alturas, o sol brilha intenso e várias pessoas aproveitam oportunidades como esta para caminhar na praia a jogar conversa fora. Neste dia, por sinal, um jovem casal de crianças que, muito provavelmente, moram longe do litoral, se diverte nas águas translúcidas de Balneário.
Um pouco mais longe da praia, para o outro lado há várias pessoas que andam apressadas. Depois de uma manhã cansativa de trabalhos que nem sempre são bem vindos, é necessário engolir um almoço para calar o estômago que já dá sinais de solidão, e correr mais uma vez para não perder o ônibus que corre para não perder a hora que passa lenta e não tem motivos para passar, apenas passa.
Na calçada cinza, algumas pessoas param e são empurradas por outras famintas. Umas não olham nos olhos das outras nem pra cima. Hipnotizadas pela ponta de seus calçados, desprezam o espetáculo que o céu azul bebê preparou para este dia.
Encontrei este blog capaz de descrições e pensamentos tão puros e bonitos como o que segue.
São gotas minúsculas, que enfeitam a natureza nas manhãs orvalhadas ou permanecem como pequenos diamantes líquidos, depois que a chuva se vai. É por isso que um bom observador dirá que a vida seria diferente se não existissem gotas de água para orvalhar a relva e amenizar a secura do solo.
Ou ainda:
Somos maus juízes porque confiamos demais nos nossos olhos e de menos no nosso coração
Com certeza e um blog que vale a pena ser visitado se você tem um coração capaz de enxergar o mundo em seus meandros e ver a sua constituição.
Quando: Pesquisei e encontrei-a em alguns blogs, mas não descobri a data e a ocasião em que esta frase foi dita ou escrita. Mas, tratando-se de Gabriel Garcia Márquez o tempo e o espaço devem ser entendidos de forma diferente.
Gostaria de citar o blog em que a encontrei. Foi mesmo um achado, a citação e o blog em si.
Não adianta fazer guerras e procurar a felicidade em outros países ou acreditar que somos o que somos porque não podemos ser mais.
A intenção deste blog é mostrar alguns fragmentos da (minha) realidade e tentar mostrar que a vida é o que a gente vê dela.
Se acharmos que a felicidade é impossível nunca poderemos ser felizes. Tudo é possível, sim.
Temos o que temos e somos o que somos porque, por algum motivo (descaso, fraqueza e etc) quisemos ser assim.
A todo instante estamos fazendo escolhas e são as escolhas simples do nosso dia-a-dia que vão guiar o nosso futuro e mais importante do que ele, são elas que vão definir o nosso PRESENTE.
Acredite em você. A sua vida não é nada mais (nem mais complicada nem mais simples) do que a forma como você a vê
Gabriel García Márquez - O homem que desenha com palavras
Com seu jeito único de escrever, Gabriel García Márquez ensina aos jornalistas que a linguagem tem forma. Mais do que uma seqüência de letras pretas em papel branco, tudo o que se escreve tem sentimento. As palavras têm formas, cores, sombras, silhuetas e muitos detalhes que podem ser deixados de lado na prática jornalística diária.
Ele abre os olhos de quem estiver disposto a ver que entre o preto e o branco e entre o bem e o mal há uma série de nuances e detalhes que são importantes e conferem credibilidade ao texto. Sensível e detalhista, ele mostra através dos seus textos que um bom relacionamento com as palavras é fundamental. E que é necessário tratar a linguagem com tanto carinho quanto trataríamos um filho recém-nascido. Afinal, tudo o que sentimos e pensamos estará em algum tom de cinza entre o preto e o branco do nosso texto impresso.
Ligado a movimentos de esquerda e preocupado com a causa do povo, participou da revolução cubana. Além de amigo de Fidel Castro é um dos responsáveis pela fundação da imprensa latina e da agência de notícias de Cuba. Passou, ainda, uma temporada em Paris, onde conheceu diversos intelectuais que foram fundamentais para a sua formação pessoal.
Trabalhou durante 20 anos para a produção do livro que hoje é considerado a sua obra-prima: Cem anos de solidão. Parou de escrevê-lo três vezes por ainda não se sentir pronto. Quando, enfim, considerou-o terminado ele teve que lutar para publicá-lo, pois foi recusado em duas gráficas. Mas a recompensa de toda essa espera foi dada pelo prêmio Nobel de literatura de 1982.
Ele iniciou a sua carreira de jornalistas no jornal El Espectador e depois a sua forma de escrever e seus livros fizeram com que seu nome se destacasse. E, embora tenha ganhado o prêmio Nobel de Literatura com o livro Cem anos de solidão, todas as suas obras, sem exceção, são sedutoras e inteligentes. Sempre introduziu uma preocupação social nos seus textos. Em A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile, por exemplo, ele mostra alguns detalhes da ditadura de Pinochet naquele país.
Entre diversas críticas sociais, em Ninguém Escreve ao Coronel , ele mostra que a aposentadoria não é sempre uma certeza como deveria ser para quem sempre paga seus impostos. E, ainda, faz uma crítica à conformidade das pessoas. Após receber o Prêmio Nobel ele adquire credibilidade e essas críticas adquirem uma dimensão maior.
Nasceu em 1928 em uma Colômbia que estava em ebulição pelo movimento esquerdista que tomava forma e ameaçava o atual poder. Gabo, como é conhecido pelos amigos, logo tomou parte desta luta e desde então defende os direitos humanos de diversas formas. Nos seus textos percebemos a sua ação através de críticas inteligentes colocadas em seus livros.
O que mais me chama atenção no Gabriel García Márquez é a sua forma simples de ver o mundo. Encarar as coisas simples simplesmente como coisas simples. Por exemplo, se 10 mil pessoas deixam de ganhar aposentadoria ficamos tristes e falamos mal do governo e dizemos “mas é assim mesmo”.
Agora, se o cara é um herói de guerra. Vive somente com a esposa em uma ilha afastada do resto do mundo e os dois já são bem velhos. Se ele tem um galo de estimação e há anos espera toda sexta-feira a lancha dos correios para saber se chegou alguma resposta do seu pedido de aposentadoria ficamos realmente frustrados e tristes por este personagem imaginário.
O Gabriel Garcia Márquez tem disso, ele meche com os nossos conceitos de certo e errado fazendo-nos ter mais pena de um personagem fictício do que das pessoas reais. Ele faz com que odiemos um velho que se declara a uma viúva no dia da morte de seu esposo em O Amor nos Tempos do Cólera. E depois faz com que lhe amemos tanto e que ao nos colocarmos no lugar daquele velho faríamos o mesmo.
O conteúdo dos seus testos extrapola o próprio texto, ele sempre diz muito mais do que há em cada linha. Ele brinca com os nossos sentimentos e mostra como somos preconceituosos e nos baseamos na nossa própria visão de mundo.
Mas, principalmente, eu admiro muito o seu texto pela simplicidade e pela dimensão. Ele não usa palavras complicadas, quando são usadas é de forma metafórica. E nem de longe ele tem um texto mais simples ou menos intelectualizado do que ninguém. Nas descrições as suas metáforas proporcionam realmente o gosto e a intensidade daquele momento. É como se sempre estivéssemos lá e fossemos parte daquela história.
Ele sempre ataca na raiz dos problemas. Ele busca o significado das coisas em vez de se limitar a superfície. Não sei se me pareço com ele nesses aspectos, mas com certeza, é nesses textos que me inspiro e inspiro seus ares adocicados de balas de iogurte.
"Tivera que promover 32 guerras e tivera que violar todos os seus pactos com a morte e fuçar como um porco na estrumeira da glória, para descobrir com quase quarenta anos de atraso os privilégios da si"
Com certeza brevemente virão outros posts sobre este grande homem. Ah! o ultimo post, a poesia sobre a guerra foi inspirada neste mesmo livro e feita durante um sono reconfortante e poético.
Você já pensou se os eleitores se dessem conta de que os políticos se dividem em partidos assim como os jogadores de futebol se dividem em times?
Quer dizer, se o eleitor é favorável a um determinado candidato assim como ele admira um determinado jogador, ele vai votar naquele candidato sem se importar com outros empecilhos.
Agora, imagine se este eleitor se conscientizar que para que aquele candidato possa produzir algo de bom, ele precisa ter um governo favorável. Quer dizer, ele precisa que seja eleita certa quantidade de pessoas do seu partido para que possa ter os seus projetos aprovados mais facilmente. Quanto mais gente do mesmo partido, melhor.
Embasado nisso, pense na quantidade de gente que vota no Enéias, por exemplo. Há muitas pessoas que votam nele simplesmente pela pessoa que ele é.
Não há muito o que escolher em matéria de candidatos para a presidência da república. Por isso, se o Enéias, no nosso exemplo, fosse um candidato a deputado federal pelo PMDB (hahaha) e se as pessoas tivessem consciência de que ele precisa de aliados para que possa fazer ‘alguma coisa’, todos os seus eleitores votariam no candidato a presidente do PMDB para “ajudar” o Enéias.
Dessa forma, os partidos políticos comprariam e venderiam os seu candidatos, pois eles trariam votos. Assim como acontece com os jogadores de futebol que são comprados para defender um time e trazer títulos.
Pode ser que não demore em chegarmos a esse panorama, afinal, ideologia partidária é algo que está cada vez mais fora de moda mesmo.
A justiça condenou um blog (Alcinéa Cavalcante)a retirar seis posts do ar a pedido do senhor José Sarney. O UOL, para não ter problemas com a justiça, retirou o blog todo do ar. A imagem que desencadeou a raiva do ilustre alcaide, ganhou vida pela internet e está na camiseta da irmã de Alcinéia (abaixo) e em dezenas de blogs.
Na primeira noite, eles se aproximam
e roubam uma flor
de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Autor: Eduardo Alves da Costa
Aliado a isso, um blog (imprensa marrom) foi processado e deve pagar R$ 3.500 por causa de um comentário anônimo deixado na sua caixa de comentários.
Ao mesmo temo em que procurava argumentos para criticar o plano de
governo do atual governador da nossa linda Santa & Bela, para a aula de
realidade sócio-econômica e política brasileira conferia, no youtube.com, alguns vídeos engraçados de
candidatos.
As duas atividades se tornaram uma só quando resolvi procurar algum vídeo
sobre Luis Henrique da Silveira naquele site. Encontrei apenas um. Mas ele foi
suficiente para me obrigar a mais uma atividade: publicar este post.
Bom, o vídeo segue em anexo e se auto-explica, mas o que mais assusta é
pensar que isso tudo aconteceu aqui do nosso lado. Eu falaria como a minha avó
se dissesse que muitas pessoas poderiam ter morrido naquele dia, mas será que os
velhos não sabem mais das coisas do que nós?
Todos são seres humanos, e com certeza aqueles policiais também têm
filhos. O que será que leva as pessoas a perderem o senso e não conseguirem
ouvir o que não lhes agrada?
Infelizmente episódios como este, irão se repetir enquanto houver
resistência. E, devemos agradecer a Deus por ela existir, porque quando ela
acabar, quando as pessoas acreditarem que seu voto não vale nada e que não podem
fazer nada e não se ajudarem mutuamente, quando acreditarem que tudo é assim
mesmo, e que não adianta reclamar, seremos todos como aqueles policiais,
obrigados a cumprir ordens e o mundo será um tabuleiro de xadrez onde nós,
simples peões seremos sacrificados por qualquer motivo esquecendo que peões,
reis e bispos são constituídos do mesmo material e participam do mesmo
jogo.