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A vida é o que se vê dela!


Cristovam Buarque – o candidato certo para o país errado

 

             Isto não é uma análise do debate como um todo. Apenas alguns pontos fundamentais que foram esquecidos. Infelizmente.

 

            No debate de ontem da Rede Globo de televisão Cristovam Buarque quase conseguiu esclarecer as suas propostas. Ele bateu na trave, esbarrou, driblou o goleiro, tirou o zagueiro, sem impedimento nenhum e quando estava entrando no gol com bola e tudo, escorregou e ela fugiu.

 

            Cristovam quer transformar o Brasil em um país de primeiro mundo, se é que essa expressão ainda é valida. E, com certeza, é somente através da educação que isso é possível. É este o caminho. Onde as pessoas tenham uma visão mais humanista do mundo e sejam mais solidárias. Esta é a única forma de se melhorar realmente uma sociedade.

 

            Somente com uma virada radical na forma de olhar o mundo, é que as pessoas serão capazes de entender que nem tudo é capitalismo. E que o dinheiro nem sempre é o mais importante.

 

            Até onde eu entendi é mais ou menos essa a proposta do Cristovam. E eu a apoio de todas as formas possível.

 

            O problema é que ele não explicou para o povão o que realmente é a educação a que ele se refere. Ele partiu do pressuposto de que o povo seria capaz de distinguir a palavra “educação”, de “escolas de ensino fundamental”. Ele não deixou claro que a educação a que se refere é muito mais abrangente do que crianças na escola. Devia ter citado a internet de acesso livre e dito que educação e ensinar a navegar e usar aquele meio em vez de citar os grandes centros de pesquisa. Os centros de pesquisa são sim importantes, mas não para um debate na Globo. Os públicos interessados são outros.

 

            Ele tinha tudo para conseguir muitos votos a mais. Só que ele acreditou que o povo tinha uma pré-educação que na verdade não tinha.

 

            Para as pessoas das classes mais baixas da população, educação é apenas isso. Crianças irem para a escola até a oitava série e pronto. Por isso é que não vêem sentido na proposta daquele homem que pareceu um louco ou um ser de outro planeta falando em educação e, dessa forma, achando que todos os problemas do Brasil seriam resolvidos com a crianças na escola. Então eles não vêem sentido nessa proposta de louco de querer resolver tudo pela educação.

 

            Cristovam deveria ter deixado isso mais claro. Deveria ter falado com as pessoas pobres também, pois elas seriam a classe mais beneficiada, pois essa é a ÚNICA chance de sair dessa condição. Deveria ter olhado para a câmera e falado com o telespectador pobre:

 

            “Você já foi pedir emprego em algum lugar e eles olharam o seu currículo e disseram que depois ligariam e nunca mais ligaram. Pois é, isso é falta de qualificação”. E em vez de dizer apenas que qualificação é educação, deveria ser mais específico e pontual. Deveria dizer que criaria escolas técnicas gratuitas nas cidades para que as pessoas pudessem aprender (gratuitamente) e receber um certificado e concorrer no mercado de trabalho com mais chances.

 

Continua abaixo...



Escrito por rafael wielewski às 12h55
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Cristovam Buarque - Continuação

            Deveria ter dito que se uma pessoa que trabalhar como mecânico, o governo disponibilizaria cursos gratuitos sobre mecânica para que ele pudesse ser habilitado para realizar aquela profissão. E deixar de ser apenas mais um.

 

            Mas ele não falou isso. Ele acreditou que o povo teria educação suficiente para entender a abrangência da educação a que ele se refere. Mas, infelizmente não tem. Cristovam perdeu uma chance excelente de ganhar os votos indecisos que seriam direcionados a Lula por medo de perder esses assistencialismos como bolsa família.

 

            Essa era a oportunidade ideal. Ele devia ter dito que as pessoas teriam educação e seriam qualificadas para receber um salário pelo seu trabalho. E receberiam pelo trabalho que desempenham, dependendo do assistencialismo do Estado.

 

            O que foi muito importante foi diferenciar Bolsa Família de Bolsa Escola. Isso ele fez bem. Dizendo que no Bolsa Família as pessoas ficam dependentes e tem medo de sair dessa condição para não perder esse dinheiro. Já o Bolsa Escola é totalmente o contrário. Enquanto as crianças estão na escola, aprendendo e construindo um futuro decente para si mesmos e suas famílias, recebem o mesmo dinheiro que receberiam se estivessem trabalhando em minas de carvão ou pedreiras, por exemplo.

 

            Isso sim é educação. Isso é mudança. Só que ele devia ter deixado claro que a educação não é coisa somente para crianças. Pois o povo está com fome e sem dinheiro e não quer esperar que seu filho de sete anos se forme para ganhar alguma coisa em troca.

 

            Por que é essa a mentalidade do mundo real. Do Brasil real. E essa mentalidade foi reforçada pelos outros candidatos.

 

            Alckmin e Heloísa Helena só se referiam a educação básica. Sempre falavam em construir escolas e contratar professores, mas não saíram dessa ideologia de educação do século passado. Ou nem eles entendem a abrangência da educação proposta por Cristovam.

 

            Infelizmente, Cristovam escorregou na pequena área e a bola parou em cima da linha do gol. Nas despedidas passou a bola pro Alckmin dizendo que a democracia merece um segundo turno. Infelizmente não é dessa vez que o Brasil vai mudar de verdade. Na minha opinião, depois do segundo turno vamos continuar com a política neoliberal do FHC. E foram apenas mais quatro anos perdidos no Brasil.

 

            Será que ninguém percebeu quando o Cristovam disse que não temos que mudar tudo sempre. Porque se não, cada vez começamos de novo. Temos que melhorar sempre, isso sim. O que é totalmente diferente de acabar com tudo e começar de novo. O que está bom deve ser mantido e não eliminado só porque foi feito por outra pessoa ou partido político.

 

            Cristovam está certo ao dizer que o Brasil precisa de educação. O problema é que ele partiu do princípio que esse povo teria uma educação mínima suficiente para entender a abrangência do termo educação a que ele se referia. Não tinha, infelizmente.

 

Mais sobre isso: blog do Joel

blog do Magrú

 



Escrito por rafael wielewski às 12h55
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No final a traquilidade

 

Último dia

De campanhas para as eleições de 2006

 

Lá embaixo

Motos,

bicicletas,

carros,

caminhões e

trios elétricos

disputam espaço.

E volume.

 

Os jingles, nem sempre originais,

Têm seus compassos contados

Pelas marteladas nas paredes

Da construção em frente e na sua cabeça

 

Ele olhou pela janela e pensou

Subiu no parapeito e

Quando fechou os olhos ouviu um gemido

Pronto, era mesmo o último dia.

Esmagaram o piriquito.

 

E agora

Era o silêncio...



Categoria: poesias
Escrito por rafael wielewski às 16h04
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Aqueles outdoor´s imensos de propaganda que tem ao lado das ruas servem, além de poluir a visão, para expor alguma idéia ou para vender algum produto. Por isso, eles geralmente fazem propagandas de coisas consideradas importantes por quem o fez.

 

Nesse esquema, são encontrados vários painéis desses após os vestibulares onde há uma foto de um jovem todo sujo e vem escrito logo abaixo o nome dele e a colocação que ele ficou no vestibular para determinado curso em uma faculdade qualquer. Preferencialmente as federais. Aí vem o nome do cursinho que o dito cujo fez.

 

           Bom, até aí tudo bem, porque ele usou os conhecimentos aprendidos no cursinho para fazer o vestibular. E nesse ponto o curso pré-vestibular que ele fez foi importante para ele conseguir o que ele conseguiu.

 

Mas, como nem tudo são flores na vida de Joseph Cliver, há um outdoor enorme no caminho de Balneário Camboriú, bem por onde passam os praianas lotados, sobre uma faculdade de Brusque. Bom, até aí tudo bem, ainda. O problema é que ele foi feito naquele estilo dos cursinhos pré-vestibular, só que com a foto de uma mulher vestida com um quimono azul.

 

E vem escrito abaixo o nome dela e sua profissão: “Judoca”. Só que a propaganda é toda orgulhosa em dizer que a moça cursou pedagogia lá naquela faculdade. Nossa! Provavelmente a pedagogia a ajudou bastante nas lutas.

 

Agora ela olha para os seus adversários e os encanta com aquele jeitinho de professora e quando eles estão caindo na sua conversa ela dá um Roud Hause Kick do judô. Se é que isso existe. Só pode ser.



Escrito por rafael wielewski às 12h56
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Ser o que se é:

Talvez não seja necessário gritar para ser ouvido.

 

Talvez quem fala demais não tenha o que dizer.

 

Talvez quem se acha bom demais tenha medo de assumir quem é.

 

Talvez!



Categoria: desabafo
Escrito por rafael wielewski às 17h32
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Um pai e uma bicicleta

 

            O ônibus se aproximava cada vez mais. Na bicicleta dá para ver apenas que um homem pedalava e na garupa vinha um menino sentado com as duas pernas para o mesmo lado. O menino abraçava o homem e olhava para trás. Ele aparentava ter uns cinco ou seis anos.

 

            No instante em que o ônibus se aproximou a ponto de necessitar ultrapassar a bicicleta surgiu uma lombada. Aí o motorista acionou os freios e aquela lata velha entupida de estudantes cansados e mal humorados perdeu consideravelmente a velocidade.

 

Neste instante, o menino cutucou o homem e disse alguma coisa. Não interessa saber as palavras exatas que ele falou, mas incentivaram o mais velho a pedalar depressa. Os olhos do mais moço que estavam baixos e perdidos nos pneus dos carros que passavam e encheram de brilho e seus dentes arregaçaram aqueles lábios e puderam contemplar a noite.

 

O homem pedalava cada vez mais rapidamente. O motorista, como de costume nem reparou no menino e fez uma cara de reprovação. Não queria dividir o mesmo espaço com o ciclista. Calmo e frustrado por realizar o mesmo trajeto todos os dias, passou pela mesma lombada por mais uma vez como faz há 27 anos todos os dias.

 

Enquanto aquele aparato metálico todo ultrapassava o obstáculo colocado ali para diminuir a velocidade dos passantes o ciclista e seu filho (acredito eu, pela semelhança física) ganhavam distância.

 

Assim que o solavanco proporcionado pela lombada pode ser sentido pelos passageiros sentados nas ultimas poltronas do ônibus o motorista acelerou. Aquele processo mecânico que é acionado após cada lombada já é realizado sem ser notado pelo motorista. Mas, não sem ser notado pelos passageiros.

 

Conforme o motorista empurrava o seu pé direito contra o asfalto gelado das 22h10 de uma segunda feira de setembro a distância até o ciclista diminuía. E, conforme essa distância diminuía o menino cutucava o mais velho e lhe dizia palavras de ânimo.

 

Quando já não tinha mais jeito o motorista, avesso à necessidade daquele ato, ligou a seta para a esquerda, olhou pelo retrovisor e colocou todos os passageiros sentados nos bancos da esquerda na pista imediatamente a esquerda da que eles se encontravam.

 

Nesse instante, o ônibus ultrapassou os ciclistas e o menor cutucou levemente o mais velho e fez um sinal de desaprovação. Vendo que estavam sendo ultrapassados e não tinha jeito, as pedaladas se fizeram mais distantes e o pai colocou a mão na cabeça e deve ter dito: “Puxa, eles passaram”. Então, os dois deram uma gargalhada muito verdadeira e cúmplice e ficaram para trás.

 

O motorista não viu aquele ato de heroísmo de um pai que entra nas brincadeiras de seu filho e eles se divertem juntos. Da mesma forma, nenhum dos passageiros que estavam ao alcance dos meus olhos ficou sabendo do fato.

 

Aquele foi apenas mais um fato isolado, desses que acontecem o tempo todo com pessoas reais. Desses que acontecem coma gente e somente coma gente e que fazem a vida valer a pena.

           O fato aconteceu e acabou. Sobraram apenas lembranças e perguntas. E se aquele pai não tivesse entrado na brincadeira do filho? E se o tivesse repreendido? Será que todos os pais estão prontos para serem pais? Será que estamos prontos para aproveitar as oportunidades de viver, que nos são oferecidas todos os dias? Será que sabemos o que acontece a nossa volta? Será que nunca paramos diante de uma cena dessas e pensamos o quanto aquele pai foi tolo por gastar “energias” com aquela brincadeira? Será que estamos prontos para sermos pais? Será que a nossa vida vale a pena?



Escrito por rafael wielewski às 16h10
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Filho não é sacola!

            Sabe quando as mães seguram os filhos pelo braço para atravessar a rua e temos a nítida impressão de que aquele braço vai arrebentar? Você olha para aquela criança pendurada em seu próprio braço, balançando atrás da mãe, que o puxa sem dó. Segundo elas, isso é necessário para que ele não seja atropelado. Mas, se ele pudesse escolher, será que não poderia preferir ser atropelado?

 

            Tudo bem que este é mais um dos cuidados de mãe e tia e não adianta. Mas, será que precisa tanto? O pobre coitado vai ali todo torto com o braçinho esticado e com os olhos esbugalhados mirando as pessoas que passam. Alguns até encenam um sorrisinho, mas nunca é lá aquelas coisas.

 

            Têm alguns que já estão acostumados até. Vão ali tranqüilos, aproveitando o passeio do teleférico improvisando pela mãe. Provavelmente aprenderam a se libertar da dor e quando vêem que uma rua se aproxima, já vão deixando de lado os seus medos e esquecendo suas dores. E fazem aquela cara de meninos obedientes que é pra não levar umas palmadas.

 

            Nas escolas, as professoras deviam ensinar técnicas militares às crianças. Quem sabe assim fosse mais fácil para elas suportar a dor. Ou, pelo menos, deviam ensinar a flutuar. Ou até dar alguns cursos de páraquedistas para que eles consigam se equilibrar de forma mais graciosa no ar.

 

            Bom, mas o negócio é que só quando chegam do outro lado da rua é que as mães vão dar aquela conferida para ver se os filhos ainda estão lá. Aí fazem aquela cara de mães maravilhosas que é para que não sobre dúvidas de que esta travessia é feita assim porque é necessário.

 

            Sinceramente, um dia uma mãe vai chegar ao outro lado da rua só com o braço do filho e nem vai perceber. Êta mania de achar que filho é sacola!

Escrito por rafael wielewski às 15h22
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