Foi numa tarde ensolarada que tudo aconteceu. Ele estava sozinho em casa em mais uma tarde interminável. A sensação era de que o seu cérebro escorria pelo corpo junto com aquele suor todo.
Quando os outros chegaram ele estava lá, imóvel com a cabeça no tanque de lavar roupas. Era impossível imaginar há quanto tempo ele estava lá. Mas, pela cor da pele e pela temperatura do corpo deduz-se que o velho relógio da cozinha já havia se precipitado em diversas voltas.
Por mais uma tarde ele imaginou-se indo à praia. Não queria apenas se resfriar. Queria nadar. Mas, após tomar diversos litros de água das ondas que se aproximavam enquanto ele ainda enxugava os olhos, decidiu-se que só iria ao mar novamente quando pudesse ficar com os olhos abertos em baixo da água.
A cena era horrível. Ele ali, tirando fotografias das roupas penduradas atrás do tanque. Imediatamente acionaram o Corpo de Bombeiros. Os homens de vermelho chegaram sem demora e levaram aquele corpo desfalecido ao hospital. Embora soubessem que já havia mais saída.
Foi na última vez que ele estava na praia quando viu uma senhora de sotaque engraçado com um óculos desses de natação. Naquele instante decidiu que essa seria a única saída para o seu problema. Precipitou-se direto dali, ainda em trajes de banho, para a primeira loja que encontrou que vendia aquele acessório para banhistas.
No hospital, o médico, após ouvir o relato do ocorrido, riu. Acostumado com acidentes e habituado em ver a vida se renovar, não conseguiu conter as gargalhadas. O exame consistiu em o médico olhar para a cara dele naquele estado e rir.
O grande problema é que o óculos estava com um preço muito elevado. Ele até vacilou em procurar a carteira nos trajes molhados, mas desistiu. Não pagaria todo aquele valor por um item tão fútil. Foi quando lembrou que havia ganhado um óculos daquele há quatro anos quando deveria ter começado a praticar natação.
Dali o corpo seguiu para o IML e dela para a funerária. Todos que perguntavam a causa mortis riam. Pobre dele que não imaginava que seria vítima das circunstâncias daquela forma.
Achou o óculos em uma gaveta. Seus olhos brilharam como nunca. Brilharam até o momento em que o elástico arrebentou entre os seus dedos. Estava completamente podre. Afinal, quatro anos são quatro anos.
No seu epitáfio escreveram: “se te disserem que curiosidade mata, acredite!”
Quando estava desiludido encontrou uma solução desesperada. Amarraria o óculos a sua cabeça com elásticos de dinheiro. Afinal, o problema estava nas borrachas e não no plástico. Pronto, agora estava tudo resolvido. Precisava apenas testar o seu experimento. Encheu de água o tanque de lavar roupa. Subiu em uma banqueta, porque o tanque era alto. E mergulhou a cabeça para certificar-se de que o óculos não permitia a entrada de água. Realmente não entrava. Mas, o pobre mal poderia imaginar que a banqueta escorregaria e ele ficaria preso de ponta cabeça em um tanque cheio de água. Os outros só chegariam horas depois.
É verão, época de aproveitar a praia e curtir as promoções! Mas, será que elas valem a pena?
Promoções com 50% de desconto indicam que o artigo será comprado pela metade do preço. Claro!
Mas, um item que deve analisado é que o lojista, por mais que queira se desfazer logo de uma mercadoria que está prestes a sair de linha, não irá vendê-la pelo mesmo preço que pagou. Muito menos, por um preço menor. Portanto, ao dar 50% de desconto ele está admitindo publicamente que cobra mais do que o dobro do valor que pagou pela mercadoria.
Em outras palavras, isso significa que o produto recebeu um acréscimo de mais de 100% no seu valor de compra.
Ou seja, ele está tão inserido nessa lógica do capitalismo que lhe interessa apenas ganhar o máximo de dinheiro possível.
Em época de temporada, lojistas se orgulham de suas promoções nas propagandas. Será que esta é uma das melhores atitudes pra se orgulhar?
Dia 30 foi o último dia do mês de novembro de 2006. Hoje é o último dia do mês de fevereiro de 2007. Portanto, encerra-se aqui o ciclo de três meses sem posts deste blog.
As novidades são o novo layout e a padronização das videocrônicas em uma por semana. A idéia era postar uma a cada quarta-feira, mas como hoje já é quarta e ainda não fiz uma talvez mude essa data para quinta-feira.
Outra novidade é o nome do blog que deixa de ser “A vida é o que se vê dela!” e passa a se chamar “Ampulheta”. Justificativa? Não há uma bastante específica, mas ampulheta é mais fácil de gravar e é mais condizente com a visão de vida deste humilde administrador de blog.
Desejo a todos que sejam muito bem vindos para mais um ano de aprendizado em conjunto.