Um beijo e pensamentos
Esse foi o resultado positivo da panfletagem em Balneário Camboriú na última sexta-feira (20/04). Com o cabelo da forma mais bagunçada que pude deixar e vestindo uma camiseta verde escura de manga comprida e gola realmente estragada devido ao tempo de uso, me dispus a entregar panfletos na rua. O Visual se completava com uma calça de moleton azul celeste dobrada até o joelho e os pés descalços.
Estava vestido dessa forma porque deduzi que uma aparência assim chamaria mais a atenção. A entrega foi feita na calçada da Avenida Brasil em Balneário Camboriú. Em pé ao lado da parede decidi que não falaria nada, não faria esforço para que as pessoas pegassem o panfleto. Apenas fiquei parado com o braço erguido e olhando nos olhos dos passantes.
Na minha mão havia 27 exemplares, no total, dos quatro modelos de panfleto que estão abaixo desse texto. A iniciativa foi entregar um panfleto sem propaganda, sem pedido nenhum. Apenas com uma frase. Uma dica, apenas. (veja os panfletos em baixo) Talvez baseado na iniciativa do free hughs.
Até o último panfleto ser entregue 20 outros haviam sido recusados verbalmente ou com um aceno negativo de cabeça. Como já disse, a única forma de comunicação que mantinha com as pessoas era olhar nos olhos. Apenas dez pessoas olharam nos meus olhos, e todas as que se deram a esse trabalho antes de recusar o panfleto, aceitaram. Engraçado isso!
Mais engraçado ainda é que no tempo todo que fiquei lá 23 pessoas passaram por mim e fizeram de conta que não me viram. Seria a aparência? Pressa?
Uma dessas pessoas, em cima da hora, olhou o panfleto que o corpo já dava sinais que recusaria. Era o do beijo. Por algum motivo, talvez a foto, ele virou-se, pois já havia passado, e arrancou o panfleto da minha mão. Olhar? Não. Caminhou alguns passos, amassou e o jogou em um vaso onde uma árvore pequena havia sido plantada. Provavelmente pensou no bem que o papel faria àquela árvore.
Esse panfleto do beijo foi o que mais trouxe respostas. Um casal que passava distraído, quer dizer, ela distraída, ele estava concentrado em um poste de iluminação elétrica. Eu, particularmente, gostaria de saber o que o poste tem a mais que sua companheira. Panfleto aceito, ela olhou três vezes enquanto caminhava. Ficou pensativa, mostrou ao namorado e aguardou a resposta com um olhar apaixonado. Ele olhou, pensou um pouco e olhou pro poste novamente.
Mas, o que fez a panfletagem valer a pena, foi uma mulher loira, alta cheia de adereços finos pendurados pelo corpo. Ela caminhava junto com uma senhora que percebia-se ter tido tempo de dar vários beijos na vida. Quando ela pegou o panfleto escrito “Beije quem você ama”, não exitou. Imediatamente deu um beijo barulhento na senhora que a acompanhava. A senhora, que devia ser sua mãe pelas semelhanças físicas, pareceu não ter entendido muito bem, mas não reclamou do beijo.
Talvez o que nos falta seja parar de olhar para o poste e se dar conta da beleza que temos em nossas vidas.
Escrito por rafael wielewski às 21h06
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Panfletos




Escrito por rafael wielewski às 21h03
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Admirável mundo novo
O conhecimento é uma via de mão única! Professores ensinando, alunos aprendendo. Regras de etiqueta, o que fazer o o que não. O certo e o errado...
Será que isso tudo não é apenas um show institucionalizado para nos matermos quietos?
Será esse, então, o "Amirável Mundo Novo"?

Categoria: poesias
Escrito por rafael wielewski às 17h00
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Certezas na contramão
Peço desculpas pela falta de atualizações, mas é que essa fonte de jovialidade que aqui vos escreve esteve meio maltratada nos últimos tempos. Algumas considerações sobre a vida nos levam a lugares sombrios de onde, por mais que queiramos, não conseguimos sair.
Você deve estar pensando, "outro template?". Mas, este é só provisório. Bom, no último post eu prometi uma análise mais aprofundada sobre os 20 anos. Bom, acho que aprofundei de mais então. E não digo que farei uma análise de 20 anos, um mês e nove dias porque nove dias é mais do que uma semana.
Aconteceram coisas realmente boas nesse último mês e outras nem tanto. Dentre as boas estão as 32 pessoas mortas na última segunda-feira por um maníaco. Quer dizer, talvez isso nem seja tão bom. Talvez eu tenha começado pela categoria errada. Mas, será que ninguém percebeu a cara psicótica daquela criatura?
Já nem sei mais quem é que está certo agora. A única coisa que queria nesse momento era ter certeza de alguma coisa porque a sujeira se dissolve tão bem na água que é difícil de ver. Uma certeza, qualquer que seja, nesse instante é meu maior sonho. Nem que seja um sonho volátil. Ou um sonho de nata. Mas, nada!
E nem é ceticismo é apenas auto-procura. Bom, chega!
É hora de definir metas de trabalho. Ricardo Noblat esteve em Blumenau na semana passada e disse que um dos maiores problemas do jornalismo impresso é que todos os jornais querem ser nacionais.
Achei isso tão lindo que sonhei e no meu sonho eu mesmo dizia ao meu corpo: “o problema é que eles querem ser nacionais”. Eles quem? Vou fazer a minha parte. Vou tentar identificar notícias em meus bolsos. Por enquanto achei apenas uma pedra, mas não vou desistir.
Deixo uma reflexão filosófica aos interessados, mas somente aos que falam inglês fluentemente porque a tradução é complexa.

Escrito por rafael wielewski às 01h23
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