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Jornais miram no coração!

 

Texto para a disciplina de Redação Jornalística IV,

ministrada pela professora Sílvia Quevedo

no quinto período de Jornalismo da Univali.

 

 



Escrito por rafael wielewski às 22h57
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Jornais miram no coração!

 

            O que é jornalismo popular? As duas principais vertentes que devem ser definidas e diferenciadas é o jornalismo do povo e para o povo. O primeiro é quando o veículo em questão é feito por pessoas que vivem as notícias que estão informando. É o caso de jornais de bairros e associações de moradores, por exemplo. Já o segundo é quando o veículo é um produto de mercado que visa agradar a um determinado grupo de pessoas, pois precisa ser vendido.      

 

Nesse sentido, muitos donos de jornais aproximam o jornalismo tradicional, sério e responsável, ao jornalismo de bairro, em que o interlocutor conversa diretamente com o leitor, fala a sua língua. É claro, direto e utiliza inclusive as suas gírias.

 

            Essas expressões que não estão em dicionários, mas que são compreendidas por uma parcela de pessoas de uma determinada região possuem a empatia de quem as utiliza. Com isso o leitor se enxerga dentro do jornal.

 

            Tecnicamente, esse seria o jornalismo ideal. Preocupado com a verdade e com a clareza da informação acima de tudo. Porém, como se torna uma mercadoria que precisa ser vendida, muitas vezes sobrecarrega o apelo aos sentimentos do leitor e descarrila de sua função social.

 

            A empatia do leitor torna-se, portanto, a sua principal arma. È nela que se atira o tempo todo porque é o coração que faz o mundo girar. É ele que nos faz cometer loucuras desde abandonar tudo e correr atrás de um sonho até gastar R$ 0,50 à toa em um item que tem uma vida útil de no máximo um dia.

 

            Jornais a um preço mais baixo atraem um público que comumente não lê. Por isso, é aceitável que se entregue um jornal totalmente colorido e recheado de fotos. Isso tudo atrai leitores diferentes. Provavelmente, nunca na história veículos de comunicação de massa atingiram classes tão baixas da população.

           

            Incentivar a leitura é o caminho natural de se trazer desenvolvimento e educação. Por isso, o jornalismo popular é um canal de se chegar às pessoas que deveria ser mais respeitado.

 

            O apelo à emoção e ao sentimento das pessoas não pode sobrepor a informação e o serviço social. Os jornais populares cumprem um papel muito importante na sociedade por estabelecerem um canal de comunicação com uma classe menos favorecida.

 

            Por isso, os donos desses veículos deveriam ter em mente que sua condição traz consigo a tarefa de educar essas pessoas. Uma educação implícita em notícias realmente importantes mescladas com as mulheres semi-nuas e o sangue escorrido no dia anterior.

 

Isso seria um jornalismo para o povo e não um jornalismo para si mesmo que usa o sentimento do povo para ganhar dinheiro.

 



Escrito por rafael wielewski às 22h56
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Cotidiano

 

            O sol forma sombras duras de um lado dos prédios e do outro a claridade é intensa. Esse contraste aliado à posição das sombras indica que já é perto do meio dia de mais um desses dias quentes deste verão que faz em agosto.

 

            No prédio em frente dois homens trabalham. Ao que parece, são funcionários de uma das muitas empresas especializadas em reformas de prédios de Balneário Camboriú. Eles raspam a parede laranjada dependurados em um andaime de madeira de aproximadamente seis metros que balança com o vento e com seus passos.

 

            É impossível ver a praia de onde eles estão. O prédio está entre eles. Lá, pelo que se pode ver na estreita faixa entre dois prédios que competem a supremacia nas alturas, o sol brilha intenso e várias pessoas aproveitam oportunidades como esta para caminhar na praia a jogar conversa fora. Neste dia, por sinal, um jovem casal de crianças que, muito provavelmente, moram longe do litoral, se diverte nas águas translúcidas de Balneário.

 

            Um pouco mais longe da praia, para o outro lado há várias pessoas que andam apressadas. Depois de uma manhã cansativa de trabalhos que nem sempre são bem vindos, é necessário engolir um almoço para calar o estômago que já dá sinais de solidão, e correr mais uma vez para não perder o ônibus que corre para não perder a hora que passa lenta e não tem motivos para passar, apenas passa.

 

            Na calçada cinza, algumas pessoas param e são empurradas por outras famintas. Umas não olham nos olhos das outras nem pra cima. Hipnotizadas pela ponta de seus calçados, desprezam o espetáculo que o céu azul bebê preparou para este dia.



Escrito por rafael wielewski às 16h38
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Gabriel García Márquez - O homem que desenha com palavras

 

Com seu jeito único de escrever, Gabriel García Márquez ensina aos jornalistas que a linguagem tem forma. Mais do que uma seqüência de letras pretas em papel branco, tudo o que se escreve tem sentimento. As palavras têm formas, cores, sombras, silhuetas e muitos detalhes que podem ser deixados de lado na prática jornalística diária.

 

Ele abre os olhos de quem estiver disposto a ver que entre o preto e o branco e entre o bem e o mal há uma série de nuances e detalhes que são importantes e conferem credibilidade ao texto. Sensível e detalhista, ele mostra através dos seus textos que um bom relacionamento com as palavras é fundamental. E que é necessário tratar a linguagem com tanto carinho quanto trataríamos um filho recém-nascido. Afinal, tudo o que sentimos e pensamos estará em algum tom de cinza entre o preto e o branco do nosso texto impresso.

 

Ligado a movimentos de esquerda e preocupado com a causa do povo, participou da revolução cubana. Além de amigo de Fidel Castro é um dos responsáveis pela fundação da imprensa latina e da agência de notícias de Cuba. Passou, ainda, uma temporada em Paris, onde conheceu diversos intelectuais que foram fundamentais para a sua formação pessoal.

 

Trabalhou durante 20 anos para a produção do livro que hoje é considerado a sua obra-prima: Cem anos de solidão. Parou de escrevê-lo três vezes por ainda não se sentir pronto. Quando, enfim, considerou-o terminado ele teve que lutar para publicá-lo, pois foi recusado em duas gráficas. Mas a recompensa de toda essa espera foi dada pelo prêmio Nobel de literatura de 1982.

 

Ele iniciou a sua carreira de jornalistas no jornal El Espectador e depois a sua forma de escrever e seus livros fizeram com que seu nome se destacasse. E, embora tenha ganhado o prêmio Nobel de Literatura com o livro Cem anos de solidão, todas as suas obras, sem exceção, são sedutoras e inteligentes. Sempre introduziu uma preocupação social nos seus textos. Em A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile, por exemplo, ele mostra alguns detalhes da ditadura de Pinochet naquele país.

 

­­­­­Entre diversas críticas sociais, em Ninguém Escreve ao Coronel , ele mostra que a aposentadoria não é sempre uma certeza como deveria ser para quem sempre paga seus impostos. E, ainda, faz uma crítica à conformidade das pessoas. Após receber o Prêmio Nobel ele adquire credibilidade e essas críticas adquirem uma dimensão maior.

 

Nasceu em 1928 em uma Colômbia que estava em ebulição pelo movimento esquerdista que tomava forma e ameaçava o atual poder. Gabo, como é conhecido pelos amigos, logo tomou parte desta luta e desde então defende os direitos humanos de diversas formas. Nos seus textos percebemos a sua ação através de críticas inteligentes colocadas em seus livros.



Escrito por rafael wielewski às 10h34
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