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HOSPITAL

Escrito por rafael wielewski às 10h41
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Sondagem do Solo

Escrito por rafael wielewski às 10h54
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Sonho interrompido na quinta série

Escrito por rafael wielewski às 07h38
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Sonho interrompido na quinta série
Aos seis meses de gravidez dona Rose engole o almoço com a pressa que pode porque já está atrasada para a aula. A comida, uma marmita oferecida pela empresa em que trabalha, desce com dificuldade pela sua garganta. No horário em que almoça o único ingrediente de sua refeição que parece quente aos seus sentidos é a salada de tomate que desidratou e compartilhou seu vinagre com o pequeno pedaço de carne que luta por espaço ao lado do arroz branco tinto com grãos de feijão em caldo ralo.
Dona Rose chega na classe cinco minutos atrasada e senta em sua cadeira de costume. A aula: álgebra. Duas vezes por semana ela se dedica ao estudo para passar no concurso público da prefeitura da cidade para o cargo de servente. Ela já havia feito essa prova, mas foi cancelada por ser para servente de pedreiro e não de escola como havia se inscrito.
Como muitos brasileiros de classe baixa, ela não teve a oportunidade de concluir sequer o ensino fundamental. Trocou os bancos da escola na quinta-série pela necessidade de auxiliar na renda da família.
Terminada a aula, dona Rose pega o ônibus e desce a cinco quarteirões de casa. A barriga pesa mais a cada dia e ela se pergunta outra vez até quando vai agüentar esse ritmo. Quando chega em casa, com o dia já preparando uma bela despedida, é recebida pela filha de três anos, Jéssica. A montanha de roupas recém-lavadas promete ficar amassada se ela não lhes dedicar um carinho imediatamente. Chantagem aceita.
Momentos depois, sente fortes dores no abdômen e precisa ir para o hospital. O serviço de atendimento móvel de urgência (Samu) é acionado e três horas depois, com o estado de choque acautelado pelos calmantes, ela tenta compreender a guinada que a sua vida acabara de dar.
Dois meses antes dona Rose se distraiu cinco minutos e a filha, Jéssica, que brincava na rua em frente ao sobrado onde moram, havia sumido. Saiu do pequeno quarto de paredes mofadas e com a tinta azul bebê e desceu as escadas com a pressa que foi capaz. Viu a filha pela porta da casa de um vizinho entreaberta e não hesitou em buscá-la.
- Mãe, ele passou a mão em mim, disse Jéssica.
Dois meses depois e ela está deitada na cama do hospital tentando compreender e fazendo muita força para não aceitar a verdade. Seu bebê que já tinha quase sete meses de gestação e pelo qual muitos sonhos e projetos esperavam agora não estava mais ali.
O sangue de dona Rose não possui antígenos. Por isso é caracterizado como Rh-. Jéssica, sua primeira filha, nasceu com o Rh+, possuía os antígenos nas células de seu sangue, as hemácias. No momento do parto o sangue de dona Rose criou anticorpos contra aqueles antígenos. Acontece que o segundo filho veio com o Rh+ e os anticorpos de dona Rose reagiram com os antígenos do filho e a conseqüência foi fatal para o feto.
Essa doença se chama eritroblastose fetal e é ensinada na aula de ciências na oitava série de qualquer escola pública do país. Dona Rose, infelizmente, cursou apenas até a quinta série e não teve a oportunidade de saber disso. Essa doença pode ser facilmente detectada no acompanhamento pré-natal e uma simples injeção resolveria o problema e proporcionaria condições de vida ao novo filho.
Agora é tarde demais! O filho de dona Rose virou mais uma estatística que será impressa nos livros de ciências e estudado por outros alunos de oitava série que, provavelmente, não lhe darão o devido valor.
Escrito por rafael wielewski às 07h37
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Praia de Taquaras - Balneário Camboriú SC

Escrito por rafael wielewski às 12h32
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desacelere!

Escrito por rafael wielewski às 12h30
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Aguaceiro
Acordei com a sensação de que meu relógio estava uma hora adiantado devido à escuridão lá fora.
O barulho no telhado lembrou imediatamente da última enxurrada que lavou a casa de muitas famílias aqui de Balneário Camboriú. Esse foi o primeiro pensamento. O segundo, claro, “se tiver tudo alagado não vou trabalhar hoje”.
Estou escrevendo do meu trabalho e a chuva não cessa. Na rádio as pessoas ligam para pedir ajuda. Suas casas estão em áreas de risco e muitas delas já estão alagadas, inclusive.
Enquanto remôo o sentimento de culpa e egoísmo que sinto por desejar que a cidade estivesse alagada novamente para poder ficar mais tempo na cama penso nos motivos para uma catástrofe como essa.
No caminho do trabalho passo por alguns terrenos baldios. O primeiro é depósito de um colchão, um armário da cozinha, ¾ de uma estante de sala, com espaço para guardar CDs inclusive, meio guarda roupa e mais umas tábuas soltas.
O segundo terreno é um corredor que liga duas ruas. Como os carros aprenderam a passar por ali, em dias de chuva também, criaram-se buracos que no resto do tempo armazenam água e são ótimas incubadoras para os sensíveis filhotes do aedes egypt. Mas isso não interfere nos alagamentos.
O próximo terreno é um depósito de entulhos de uma construção. Na calçada havia dois guarda-roupas desmontados que levei para minha casa há duas semanas e construí uma peça para mim. Com criatividade, martelo e tinta ficou tudo novo.
Enquanto escrevo este texto muitas famílias estão, sem dúvida, erguendo seus utensílios domésticos que compraram em 30 prestações das Casas Bahia e pagaram apenas as três primeiras. Provavelmente hoje alguém vai perder parte do que construiu em uma vida toda de trabalho. E eu aqui escrevendo...
Será que sou egoísta porque não vou ajudar àquelas pessoas? Na última enxurrada até carreguei carrinho de bebê com água quase pela cintura, dei orientações de trânsito, direção, tempo... Não digo que não foi importante, mas...
Acho que sou mesmo egoísta! Enquanto escrevo aqui dessa sala com ar condicionado, sentado em frente a um computador moderno em cima de uma mesa bonita, me dou conta de uma verdade triste.
Sou tão egoísta e irresponsável quanto aquelas pessoas que jogaram o lixo do outro lado da rua, no canal do rio, nos terrenos baldios, ou simplesmente deixaram seu guarda-roupas velho na calçada em frente à casa do seu vizinho.
Muitos dos que perderam seu móveis na última enxurrada os deixaram largados na rua para trancar a passagem de água e de pedestres também. Uma tábua em cima de um bueiro impedia o escoamento da água. De onde ela veio? Eu não sei, mas você pode adivinhar.
Claro que muitos bons pagam pelo erro dos outros. Mas, enquanto a chuva cai eu continuo escrevendo esse texto aqui da minha sala climatizada e seca. E enquanto você me condena por estar aqui, garanto que lê esse texto com um sentimento recíproco. “Nossa! Coitadas daquelas pessoas”.
Agora vou fazer o meu trabalho de todo dia. E você vai fazer o que?
Escrito por rafael wielewski às 09h32
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No ônibus
Oi, boa tarde. Posso me sentar aqui? Obrigado. Será que chove hoje? Acho que essa nuvem vai despencar logo, logo. Vai ser aquela correria pela rua e atropelo com sombrinhas... Você não acha?
As pessoas aqui são diferentes, né? Onde eu morava não era assim não. Está certo que lá não era as mil maravilhas, mas a coisa era diferente. Você viu aquilo? Nossa, parou em cima da faixa de pedestres, por pouco não pega aquela velhinha. Maluco, onde será que ele vai com essa pressa toda?
Dizem que lá a vida passa mais devagar, as coisas não acontecem, não há futuro... Dizem um monte de coisas. Mas, lá ninguém atropela velhinhas em faixa de pedestres. Soube que uma moça pulou de um prédio porque discutiu com o namorado. Pois é, e olha que ela tinha muito mais do que muita gente de lá onde eu morava. Talvez, se ela tivesse amigos... Por falar nisso, um amigo é muito difícil por aqui, né? Isso lá tem bastante.
Lá não tem dinheiro, não tem fama... Mas, tem carinho. Em qualquer casa que a gente vai a gente ganha chimarrão, chá, café com leite, só quando a verba chega para o leite, se não, é só café. Mas, sempre tem. Quando acaba o pão as tias fazem bolinho-de-chuva que é bem rapidinho de fazer.
Você está vendo como as pessoas caminham pela calçada em frente a essas vidraças sem se olhar nos olhos? É incrível como não se batem. Retiro o que eu disse. Elas se batem sim. Cinco minutos no ônibus e já vi três encontrões na calçada.
Lá as plantas não são assim verdes e bonitas como essas do jardim da prefeitura. Mas, acho que não é o verde da planta que mostra a sua alegria de viver. Embora fosse melhor estar em um vaso maior, ter mais água, tomar mais sol, crescer e ser visto, o que vale mesmo é estar ali e viver. Lá as pessoas, como as plantas, driblam os problemas e espremem o pacote de leite que, no fundo, sempre tem mais um pouquinho.
Aqui não, aqui parece que é feio cumprimentar as pessoas. Olha, tenho que te dizer que são poucas as pessoas dispostas a conversar assim como você. Obrigado pela conversa. Mas, agora tenho que descer, esse é o meu ponto.
- Ora o que estou fazendo? Conversando com o meu reflexo no espelho do ônibus... Acho que estou ficando louco.
Escrito por rafael wielewski às 08h36
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Uma história que nasce pequenina
As seis fotos que seguem contam uma história. Juntas, elas mostram o nascimento de um prédio. Desde o sonho, que era apenas poesia, até quando ele se torna realidade e o prédio se sobressai de seus iguais.
O sonho vira realidade e os objetivos são deixados pra trás conforme o prédio ganha os céus. No fim, ele está tão amarrado que não cai com nenhum vento. Seria preciso que tirassem toda a sua estrutura para que ele desabasse. Altivo e cheio de si mesmo, nasce mais um prédio em Balneário Camboriú. São ótimos vizinhos, os prédios.
Acho mesmo que essa primeira fotografia simboliza muito isso. Como se cada parte do novo prédio já se imaginasse grande e imponente. A raça humana, como os prédio, também é assim. A diferença é que ninguém desdenha dos sonhos de um edifício. Talvez nem perceba. Bom, mas pensando melhor, isso também acontece com os seres humanos pequenos cujos sonhos são deixados de lado para 'crescer'.
Escrito por rafael wielewski às 15h02
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no início era apenas sonho

Escrito por rafael wielewski às 14h52
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planejamento

Escrito por rafael wielewski às 14h51
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fundamentos

Escrito por rafael wielewski às 14h51
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Trabalho duro e novos caminhos

Escrito por rafael wielewski às 14h50
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estrutura

Escrito por rafael wielewski às 14h49
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amarrado não cai

Escrito por rafael wielewski às 14h48
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